Como tudo começou…

Era um sábado normal. Chuvoso, nublado.

Penúltimo dia da festa local. Parecia que tudo seria normal…

Meu amigo me liga e pede que eu o acompanhe a essa festa já que ele nunca tinha ido. Na verdade eu não gostava muito de ir aquela festa. Afinal eu moro no bairro. Todo ano é a mesma coisa. Não tenho paciência.

Mas naquele dia eu resolvi acompanhá-lo. Ainda mais, resolvi vestir uma roupa totalmente fashion. Como se eu estivesse indo para uma baladinha ou encontro… tava bonita mesmo… minha mãe inclusive perguntou o porque que eu estava vestida daquele jeito. Eu simplesmente disse: “ué… eu saio pouco. então qdo isso acontece tenho que sair bonita, não?”.

E assim eu saí e fui me encontrar com o Thiago.

Eu realmente devia estar bonita. Muitas pessoas me olharam. Me senti bem.

Em pouco tempo encontrei o Thiago e o namorado dele. Apresentei a festa inteira. Entramos em algumas filas. Eles gostaram mas tinham que voltar para casa cedo.

Um pouco mais de um hora depois eu os levei até a “porta” da festa e fiz o caminho de volta, por dentro da festa, para ir embora também.

No meio do caminho encontrei com uma amiga da época do colégio. Pyetra. Eu queria ir embora mas ela me convenceu a ficar por ali e andar mais um pouco e ver se encontrávamos alguém interessante.

E não é que eu fui? Sim. Fomos andando pela rua, conversando, colocando o papo em dia. Fomos em direção a uma barraca de um amigo dela, o Eduardo. Ele estava na barraca de calabresa se não me engano.

Tinha algumas pessoas que eu conhecia de vista porque estudaram no mesmo colégio que eu ali. Conversei um pouco com as pessoas, mas não conhecia ninguém ali de fato. Então fiquei na minha, quieta, como sempre.

A Pyetra se empolgou e tomou, a pedido do Eduardo, um suco que estava “batizado”. Aos poucos, ela foi ficando alegrinha….

Em questão de 30 min falei para ela que queria ir embora por conta do frio e então decidimos encontrar com a mãe dela na porta da igreja. E para lá fomos acompanhadas do próprio Eduardo, que percebera que minha amiga já não estava muito bem, e mais algumas amigas delas.

Ficamos esperando a mãe dela por um bom tempo ali. As barracas e as pessoas estavam indo embora. Um frio…

A roda de “amigos” estava até meio grande. De repente surge em nossa direção um menino de jaqueta preta, cabelo raspado, bonito aparentemente. Ele vinha do lado contrário ao que eu estava. Assim eu o via caminhando em direção a roda.

Quando ele se aproximou ele logo olhou para mim e nossos olhares se cruzaram. Ui. Que frio na espinha. Ele realmente era bonito. Cabelo raspado. Do jeito que eu gosto. Um sorriso lindo. Ah… meu coração bateu. Fui atingida pelo raio sem saber.

Ele me olhava de um jeito que me tirou do centro. Não conseguia devolver o olhar. A timidez tomou conta de mim. Eu desviava o olhar. Eu estava gostando, mas estava com vergonha de olhar.

Todas as meninas da roda ficaram babando pra ele. Ele percebeu. Lógico. Foi então que ele se aproximou do Eduardo, tirou o boné dele por uma brincadeira e perguntou pra ele com o olhar direcionado ao meu:

- oh Du, quero ir ao banheiro meu…
- vai lá Pedrão (direcionou para o local). Entra com o meu boné e fala que vc é meu brother que tá tudo certo…
- certeza moleque?
- certeza. vai lá.

Enquanto eles conversavam as meninas não tiravam os olhos dele e ele não parava de olhar para mim. Eu vi que ele tinha percebido o auê que ele tinha causado entre as meninas e achei que ele se gabou disso. Ai desisti de encara-lo.

Ele foi ao banheiro. Durante a ausência dele as meninas começaram a se derreter para o Eduardo. Queriam saber quem era o cara. Eu logo pensei que era hora de tirar meu time de campo… concorrência desleal. As meninas estavam dispostas a se mostrar a qualquer custo a ele…

Enfim, ele voltou. Continuou a me olhar. As meninas o mesmo. Eu desviava o olhar, mas algo estava tomando conta do meu corpo. Eu o queria. Eu queria ficar com ele. Pedia em voz baixa “olha pra mim. fica comigo” repetidamente.

Aos poucos as pessoas iam embora…. aos poucos ele se aproximava de mim….

De repente ele estava literalmente ao meu lado. Começamos a conversar. Definitivamente estava lançado o cupido. Ele jorrava charme pra mim. Eu delirando. Não via a hora de surgir a oportunidade.

Em um momento fingi que meu celular tocou e que um amigo me convidava para uma festa longe. Ele logo disse:

- acabei de levar um puta fora (enquanto eu “estava” ao telefone). Nossa… não acredito….

Eu desliguei o celular e ele voltou a dizer:

- nossa Mi, depois dessa, eu páro. Me deu um fora atraves de uma ligação…..
- o que menino? que vc tá dizendo???

Logo a Pyetra entrou na conversa:

- pois é. Ela tá com essa idéia de ir para uma rave em Campinas.
ele: – pra que ir pra tão longe pra se divertir? você está em sao paulo. melhor lugar que esse não existe.
pyetra: é mesmo.
eu: mas eu não vou pra lugar algum a essa hora…

Ele olhou pra mim e deu um sorriso sacana… eu adorei.

O tempo foi passando. As meninas foram embora. E ele continuou ao meu lado. O frio também aumentava. Fiz um charme lógico.

- Nossa Py. Vamos vai. Tá muito frio aqui… Cruzei os braços e fiz uma cara de incomodada com a temperatura.

Depois de algumas palavras ele fez o inesperado: me abraçou pelas costas e me acolheu. Na hora eu relaxei. Sem qualquer pedido. Sem qualquer recriminação. Sem qualquer vergonha. De fato me derreti nos braços dele. Brincou:
- nossa. já relaxou?
- é o frio.

Os dois deram risada e as pessoas ao redor também.

Alguém sugeriu a idéia de ir para frente de um bar onde estava mais iluminado. Fomos. Mas ele foi comigo. Abraçado. Juntinho. Me protegendo do frio mesmo.

Ao chegar na frente do bar, olhamos pra tras para ver a Pyetra e o Edu se beijando atrás de uma barraca. Eu me soltei dele e virei para a frente dele. Era a hora….

Sem que eu tivesse qualquer tempo para pensar ou falar alguma coisa ele tocou meu rosto, me puxou pro seu corpo e me beijou ardentemente.

Meu Deus. Que beijo é aquele? Me fez levantar a perna. Ver estrelas.

E a intensidade foi aumentando. Ele entrelaçou os braços sobre o meu corpo e eu aos dele e nos beijavamos como se fossemos amantes há longo tempo.

Beijo duradouro. Demorado. Delicioso. Quase a beira e perder o ar percebi que algumas pessoas estavam nos rodeando e ofegante disse a ele:
- acho que temos platéia.

Olhamos com rostos colados e com um sorriso malicioso nos soltamos e nos recompomos. O que fora aquilo? Fiquei atordoada.

Pyetra e o Edu voltaram a nossa companhia. Ele me abraçou e voltou a me proteger do frio.

Beijou minha nuca. Encostei a cabeça no peito dele e permiti que ele beijasse meu pescoço, meu rosto, até me virar novamente e me beijar a boca.

Definitivamente eu estava enlouquecida por ele. Nunca tinha sido beijada daquela forma outrora. Fantástico. Delicioso.

Apesar do tesão a flor da pele nós mesmos tentavamos nos separar para que as pessoas parassem de nos olhar. Afinal. Não era o local apropriado.

Todos estavam indo embora. Ele disse que nos levaria em casa. Fomos em direção ao carro dele que estava estacionado na rua perpendicular a que estávamos.

Quando passamos em frente àquela barraca onde estavam as pessoas que eu conhecia do colégio, a barraca do Eduardo, as meninas ficaram olhando surpresas ao me ver ao lado dele.  

Chegamos ao carro. O Eduardo e a Pyetra começaram a conversar e a enrolar para entrar no carro. O Pedro abriu a porta para eu entrar. Mas como os outros dois estavam demorando ele me encostou na porta e me deu aquele beijo de novo. Era definitivamente um sonho. Estava muito feliz. Estava sendo do jeito que eu sempre quis ficar com alguém.

Todos no carro, a idéia era de ele nos deixar em casa. Ele tentou desviar o caminho mas logo retomou. Paramos na frente do prédio do Eduardo. Os dois no banco de trás já estavam se beijando o que nos fez dar muitas risadas.

Ele me puxou ao encontro dele e enquanto me beijava me colocou no colo, me acariciava, tocava os meus cabelos e me abraçava…

Intercalávamos beijos ardentes de tesão absoluto com beijos doces, carinhosos… ahhhh que delícia. Como foi bom!

Seus braços grandes e fortes cobriam o meu corpo, me apertavam, me tocavam. Mas naquele momento eu ainda me contia. Afinal duas pessoas estavam atrás. Então, apesar de em vários momentos esquecer dos dois no banco de trás, eu colocava o pé no breque. Numa dessas paradas ele percebeu que minha blusa tinha um truque. Ele descobriu. Haha.

Pelo que me lembre o Eduardo precisava voltar. Então eu voltei ao meu lugar e voltamos. Deixamos a Py em casa e ele chegou a vir na porta do meu prédio. Não queríamos nos soltar. Foi então que o Edu deu uma bela dica:
- faz assim Pedrão, me leva de volta pra festa e depois vocês se despedem com mais calma.

E foi assim. Voltamos para a festa, deixamos o Edu na festa e voltamos para a porta do meu prédio. E ali ele me conquistou definitivamente.

Estacionou o carro. Eu estava encolhida no banco. Ele baixou o meu banco. E ficamos ali juntos até o amanhecer…

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